Apenas já não somos mais crianças e desaprendemos a cantar. As cartas continuam queimando. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu faz muito tempo. Talvez se tenha ido junto com o sol, com o calor. Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltarão. Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais.
Eu não gosto de rock porque acho que quem gosta é “fodão”, eu gosto porque rock é a unica música que fala realidade da vida, rock é como poesia com melodia, uma melodia com guitarra e bateria. Rock é a música capaz de compreender as pessoas, nos seus dias sensíveis e revoltados. Os rockeiros não tem medo de falar sobre a merda que o mundo tá virando, o rock não é do capeta, rock é inteligente.
“O telefone não pára de tocar, querem entrevistas para todo canto sobre estar-com-AIDS. Me recuso — quando o “gancho” é o vírus pelo vírus. Argh. Quero falar do meu trabalho, pô! Se perco o pé acabo no sofá da Hebe dizendo coisas do tipo ah, o HIV é uma gracinha…”
— Caio Fernando Abreu - Carta a Maria Lídia Magliani